A diretoria de um grupo industrial aprova uma meta de 100% de eletricidade renovável para suas três fábricas brasileiras. Duas operam com produção estável. A terceira prepara uma nova linha, e a data de entrada em operação pode mudar o consumo do ano em milhares de megawatts-hora.

Quando a meta chega a compras, a pergunta é objetiva: quantos I-RECs contratar agora? Se o comprador usar todo o consumo previsto como referência, pode pagar por certificados para um volume que já tem comprovação. Se esperar o fechamento de todas as medições, pode chegar ao prazo do relatório ainda negociando parte da compra.

Um exemplo mostra como tomar essa decisão.

Três fábricas, três situações de compra

Considere um grupo hipotético cuja matriz quer comprovar a origem renovável de toda a eletricidade consumida pelas três unidades no ano. Para simplificar, os volumes já cobertos no exemplo têm documentação conferida e atendem aos critérios da meta.

Unidade Consumo anual previsto Volume já coberto Saldo estimado a cobrir
Fábrica A, operação contínua 60.000 MWh 40.000 MWh 20.000 MWh
Fábrica B, produção sazonal 35.000 MWh 35.000 MWh 0 MWh
Fábrica C, em expansão 25.000 MWh 0 MWh 25.000 MWh
Grupo 120.000 MWh 75.000 MWh 45.000 MWh

Cada I-REC corresponde aos atributos de 1 MWh de eletricidade renovável gerada. Nesse cenário, o grupo partiria de uma estimativa de 45.000 certificados para completar a cobertura prevista. A fábrica B entra na prestação de contas da matriz, embora sua previsão atual não gere uma nova demanda de compra. Instituto Totum — I-REC(E)

O que compras precisa conferir nos contratos existentes

Os 40.000 MWh da fábrica A só podem entrar na coluna “já coberto” depois que a equipe verificar o que o contrato atribui à empresa. Uma proposta pode identificar a hidrelétrica ou a usina solar que vende a energia. Para comprovar a origem renovável daquele volume, importa saber quem detém o direito de declarar os atributos da geração e qual documento sustenta essa declaração.

Quando o contrato prevê I-RECs, compras deve conferir quem providencia a aposentadoria, em nome de qual beneficiário e para qual volume e período. A aposentadoria é o registro do uso definitivo do certificado para aquele beneficiário. Um contrato que prevê entrega futura merece uma linha própria no acompanhamento: o volume já está contratado, mas a documentação ainda precisa chegar. Essa distinção ajuda a evitar tanto uma segunda compra quanto uma declaração prematura de cumprimento da meta. Guia de funcionamento do I-REC — Instituto Totum

Também vale definir quem vai usar a informação. Se a matriz acompanha o resultado consolidado, mas uma fábrica precisa responder individualmente a um cliente, a equipe deve conseguir identificar qual parcela foi atribuída àquela unidade. Se os dados também alimentarem o inventário de emissões, sustentabilidade precisa verificar os critérios aplicáveis ao método baseado em mercado, incluindo período de geração, mercado de origem e prevenção de dupla contagem. GHG Protocol — Scope 2 Guidance

Quanto contratar antes de a nova linha entrar em operação?

No exemplo, a fábrica C responde por mais da metade do saldo a cobrir. É ali que a data de partida da nova linha mais pesa na decisão. Suponha que a engenharia estime dois cenários: 18.000 MWh de consumo anual se houver atraso e 25.000 MWh se a linha partir no prazo. Mantidas as previsões das outras duas unidades, a necessidade do grupo passa a ser de 38.000 a 45.000 certificados.

Essa faixa permite pedir propostas comparáveis. Uma opção é cotar os 45.000 certificados de uma vez. Outra é cotar 38.000 e negociar, desde o início, as condições para contratar até 7.000 adicionais. Na segunda proposta, compras precisa saber até quando pode exercer essa opção, como será definido o preço e se o fornecedor reserva o volume. Sem reserva contratual, uma compra complementar fica sujeita à disponibilidade futura.

A escolha depende do custo de cada cenário. Quanto custa reservar a flexibilidade? Qual seria o impacto de contratar os 7.000 certificados e encerrar o período com consumo abaixo do previsto? E qual é a última data em que a matriz aceita receber a documentação? Com essas respostas, a diretoria consegue decidir quanto comprometer do orçamento antes de conhecer a data definitiva de partida.

O que levar para a cotação

Um pedido como “precisamos de 45 mil I-RECs” deixa em aberto justamente os pontos que podem mudar o preço e a utilidade da proposta. Para o grupo do exemplo, compras poderia formular a demanda assim:

Nosso grupo quer cobrir o consumo anual de três unidades no Brasil. Estimamos uma necessidade de 38.000 a 45.000 I-RECs, conforme a entrada em operação de uma nova linha. Solicitamos duas propostas: uma para o volume integral e outra para 38.000 certificados, com as condições para até 7.000 adicionais. Pedimos que cada proposta informe a origem e o período da geração, o prazo para confirmar o volume final e as condições para aposentadoria e entrega da documentação aos beneficiários indicados.

No fechamento, os gestores das plantas substituem as previsões pelo consumo medido. Compras confere as entregas e sustentabilidade concilia os volumes com os comprovantes de cada beneficiário. Assim, quando a matriz perguntar quanto da meta foi cumprido, a resposta poderá ser demonstrada fábrica por fábrica.

Se sua indústria está consolidando a demanda de várias unidades, envie à PaineiraPar o período, o volume já coberto e a faixa de consumo ainda em aberto. Esses dados permitem avaliar uma cotação compatível com o calendário de produção e com o prazo de reporte do grupo. Solicite uma cotação de I-RECs à PaineiraPar.

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