Quando um cliente avalia os critérios ambientais de um fornecedor, a energia que movimenta a fábrica pode entrar na conversa. Qual é a origem da eletricidade utilizada? Que volume tem comprovação renovável? Quais documentos sustentam essa informação?
Essas respostas podem participar de uma negociação, de uma avaliação de fornecedores ou do relatório que a indústria precisa entregar à matriz.
É nesse contexto que o certificado I-REC ganha valor: ele permite documentar a origem renovável associada ao consumo de eletricidade da empresa.
Para compras, sustentabilidade e comercial, isso significa ter uma evidência para apresentar quando o negócio exige comprovação. O Siscomex inclui o I-REC entre as certificações voluntárias que podem apoiar o acesso a mercados exigentes. Fonte: Siscomex.
O que sua indústria está comprando, afinal?
O I-REC é um certificado digital que identifica a geração de eletricidade renovável: de qual usina ela veio, qual fonte foi utilizada e em que período foi produzida.
Cada I-REC corresponde a 1 MWh de energia renovável gerada — o equivalente a 1.000 kWh. No Brasil, o Instituto Totum atua como emissor local do sistema. Fonte: Instituto Totum.
Pense em uma fábrica que consumiu 120.000 kWh em determinado período. Esse consumo equivale a 120 MWh. Para associar uma origem renovável comprovada a todo esse volume, a referência seria de 120 certificados, com origem e período compatíveis com as regras do reporte pretendido.
A comprovação funciona por registro: a eletricidade de diferentes fontes se mistura na rede, enquanto os certificados identificam a quem pertencem os atributos renováveis de cada volume gerado. É essa rastreabilidade que permite à indústria sustentar sua declaração. Fonte: I-TRACK.
O que muda para comercial, sustentabilidade e comunicação
Para a área comercial, o I-REC pode ajudar a responder a um cliente que exige comprovação de eletricidade renovável. Se esse requisito fizer parte da avaliação de fornecedores, a documentação passa a ter uma função concreta na negociação.
Para a equipe de sustentabilidade, o certificado ajuda a demonstrar metas de consumo renovável e a organizar informações para o inventário de emissões. As emissões associadas à geração da eletricidade comprada pela empresa entram no chamado Escopo 2 desse inventário.
O GHG Protocol permite considerar documentos de compra e certificados no cálculo pela abordagem de mercado. Atendidos os critérios de qualidade, o I-REC pode contribuir para reduzir as emissões reportadas por esse método. O cálculo baseado nas características da rede elétrica, chamado abordagem por localização, permanece separado. Fonte: GHG Protocol.
Para a comunicação da indústria, a vantagem é conseguir apresentar uma informação delimitada e verificável: qual volume de eletricidade possui comprovação renovável, em qual período e para quais unidades.
Esse é o valor do certificado para o negócio: dar respaldo ao que a empresa declara sobre a energia que utiliza. A aceitação em uma negociação ou programa depende dos critérios de quem recebe essa comprovação.
A compra também atribui valor econômico à geração renovável, criando receita complementar para os geradores. Esse apoio se soma à rastreabilidade, sem representar, por si só, uma medida de novas emissões evitadas no sistema elétrico. Fonte: I-TRACK.
Dá para começar sem instalar uma usina
Os certificados podem ser comprados separadamente da eletricidade. Isso permite à indústria contratar os atributos renováveis sem precisar instalar painéis solares ou mudar, por essa compra, o fornecimento físico da fábrica. Fonte: GHG Protocol — instrumentos de compra de eletricidade.
O ponto de partida é levantar o consumo e definir o objetivo: atender a um pedido de cliente, comprovar uma meta anual ou preparar o inventário. Essa finalidade orienta a escolha dos certificados e da documentação necessária.
Na contratação, uma etapa merece atenção: a aposentadoria dos certificados em benefício da empresa. Esse é o registro que retira os certificados de circulação e destina seus atributos ao beneficiário identificado, evitando seu uso por outro comprador.
A indústria deve receber a declaração de aposentadoria e conferir os dados da operação. Vale combinar desde a proposta quem fará esse registro e quando o documento será entregue. Fonte: I-TRACK — informações para consumidores.
É obrigatório? Reduz impostos?
O I-REC é uma certificação voluntária. Para a indústria, sua contratação pode responder a uma meta própria, a uma exigência de cliente ou às regras de um programa de sustentabilidade. Uma obrigação de divulgar emissões não significa, automaticamente, obrigação de comprar certificados. Fontes: Siscomex e I-TRACK.
A compra também não assegura, por si só, redução de impostos. O tratamento do gasto depende do regime da empresa e da operação. Qualquer incentivo precisa ter base específica e ser avaliado pela contabilidade. As regras gerais de despesas operacionais não estabelecem um incentivo próprio para I-REC. Referência: Regulamento do Imposto de Renda, art. 311.
Há ainda uma diferença importante para a comunicação ambiental: I-REC é medido em MWh; crédito de carbono, em toneladas de CO₂ equivalente. O certificado de energia não compensa todas as emissões da fábrica nem torna a operação inteira neutra em carbono. Sua aplicação está ligada à eletricidade e aos critérios do reporte utilizado. Fonte: GHG Protocol — certificados e compensações.
A decisão começa pela necessidade da sua indústria
Antes de pedir uma cotação, reúna três informações:
- Quanto a empresa consome: volume em MWh ou contas de energia para ajudar no cálculo.
- Qual período e quais unidades quer contemplar: um ano, outro intervalo ou instalações específicas.
- O que precisa demonstrar: uma meta, um relatório ou um requisito de cliente.
Com isso, fica mais fácil avaliar quantidade, origem, período de geração e documentação. Os preços são negociados no mercado e variam conforme as características dos certificados e da operação. Fonte: Instituto Totum.
A PaineiraPar atua na geração renovável e comercializa certificados I-REC para indústrias. Nossa equipe recebe essas informações para avaliar a demanda e apresentar uma cotação.
Quando sua indústria precisar comprovar a origem renovável da eletricidade, traga essa necessidade para a conversa.

